Como bom empreendedor, você já deve ter ouvido falar em Eric Ries. Algumas publicações chegam a chamá-lo de “empreendedor serial” — o norte-americano, nascido em 1978, fundou a primeira startup com pouco mais de 20 anos e, desde então, ficou tão experiente no assunto que conduz palestras, mantém um blog aprofundado e, claro, escreveu o livro Startup enxuta, que é praticamente um clássico para quem quer empreender.

É impossível falar sobre MVP sem citar o empreendedor. O conceito, sigla para Minimum Viable Product (ou Produto Mínimo Viável) é um dos destaques do livro de Ries, e tem sido utilizado por muitos empreendedores como um apoio na tomada de decisões estratégicas sobre o futuro do negócio.

Conversamos com Carla De Bona, designer, speaker e entrepreneur, além de mentora na Oxigênio Aceleradora, sobre a importância de um bom MVP e como ele pode ser aplicado para ajudar uma startup a alcançar o sucesso. A empreendedora, uma das fundadoras da reprograma, falou sobre as melhores formas de conceber um MVP, erros comuns que não devem ser cometidos e comentou exemplos bem-sucedidos. Confira!

O que exatamente é MVP para startups?

À primeira vista, MVP pode parecer somente uma forma de entregar um produto inacabado aos clientes, mas não é bem assim. Desenvolver um Produto Mínimo Viável significa estipular uma hipótese e lançá-la ao mercado para comprová-la (ou não) e, dessa forma, aprimorar o seu produto antes de finalizá-lo.

Carla lembra que as 5 metas em que startups mais se concentram são as AARRR (Aquisição, Ativação, Retenção, Referência e Receita). “Às vezes, você vai fazer um MVP para cada uma das métricas, às vezes vai trabalhar com duas métricas em paralelo, por exemplo. Vai depender muito da hipótese que você tem naquele momento, que validação quer fazer antes de executar a versão mais completa do produto”, diz.

Se você está desenvolvendo o plano de negócios de uma plataforma, por exemplo, pode ser interessante lançar uma versão com as funções básicas que ela precisa oferecer, e testar como o seu potencial público reage a fim de perceber como está sua Aquisição.

Por que o MVP é tão importante para a sua empresa?

“Com o MVP, você economiza tempo e não desperdiça seus esforços com algo que não é adequado para sua startup e seu usuário”, explica Carla. Mas como o MVP faz isso? Ela detalha: “Primeiro, você consegue obter feedback real, já que o MVP é uma simulação da experiência do seu produto, sem necessariamente o produto estar construído”.

Ela pontua o exemplo do Dropbox, que desenvolveu um vídeo mostrando como a solução funcionaria antes de entregá-la. Com essa ação, pôde receber feedback de diversas pessoas interessadas e, mais ainda, atraiu a atenção de investidores.

Carla explica que, a partir do MVP, a empresa consegue ter seus primeiros clientes pagantes e entender melhor a relação dos usuários com o produto. Obviamente, o processo de compra é em escala reduzida, mas permite entender com mais profundidade o comportamento dos clientes dispostos a pagar.

“Quando você tem um MVP muito bem validado, os custos de desenvolvimentos são minimizados, pois na hora de desenvolver seu produto você sabe exatamente onde deve focar horas de desenvolvimento, o que é prioridade e o que precisa ser automatizado”, ressalta a empreendedora.

Exemplos práticos de MVP que deram certo

Como Carla ressaltou, o MVP de cada projeto demanda soluções específicas. Mas nada melhor do que conhecer exemplos práticos para se inspirar, não é? Conheça alguns cases de sucesso, na perspectiva da empreendedora:

Zappos

A Zappos, e-commerce de calçados famoso pela eficiência no atendimento ao consumidor, elaborou um MVP conhecido como “Mágico de OZ”, ainda no final dos anos 1990. O método consiste em criar uma plataforma de pedidos para os clientes, mas realizar manualmente a logística.

O inglês Nick Swinmurn, fundador da empresa, postava fotos de sapatos de um shopping local no site de vendas. Somente quando um consumidor fazia o pedido, ele efetivamente comprava o calçado e enviava.

Evidentemente, não seria um modelo de negócios sustentável ao longo prazo, mas provou a ele que sua ideia tinha aderência no mercado.

Groupon

O Groupon começou a partir de um site que tinha a ideia de juntar pessoas para realizar o que não conseguiriam sozinhas. Já era um MVP e os fundadores perceberam que a concepção não era tão atraente assim.

Então, usando o mesmo domínio, foi lançado The Daily Groupon, em que eles postavam os descontos manualmente. Quando alguém se inscrevia em determinada oferta, a equipe gerava um documento PDF e enviava por e-mail.

EasyTaxi

O EasyTaxi começou com uma página web para as pessoas colocarem manualmente o endereço onde estavam. Quando o usuário clicava em enviar, os sócios recebiam um e-mail com a demanda.

Com as informações do e-mail, eles ligavam para as cooperativas pedindo um táxi para aquele endereço. O que eles aprenderam, afinal? Que as pessoas usariam um serviço que chamaria um táxi para elas.

Como desenvolver seu próprio MVP

Como você pôde ver nos exemplos anteriores, empresas que hoje são referência no mercado começaram com MVP bastante simples. Carla dá algumas ideias para colocar um Produto Mínimo Viável em prática sem muitos custos:

  • usar campanhas de anúncios em redes sociais para validar interesse das pessoas no seu produto ou serviço;
  • criar um crowdfunding para desenvolver sua ideia. Se as pessoas estão dispostas a dar dinheiro para ver sua ideia no mundo real, é um bom sinal de que você tem algo de valor para o usuário;
  • no mesmo caminho do crowdfunding, criar página de pré-compras, em que as pessoas pagam antes mesmo de você ter construído o produto ou serviço
  • desenvolver um serviço ou produto no conceito “Mágico de Oz”, em que a entrega é toda feita manualmente e não há ainda automatização da solução;
  • desenvolver protótipos de alta fidelidade para demonstrar e testar o produto diretamente com o usuário.

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