A China é um dos maiores parceiros da estratégia de comércio exterior do Brasil. Nos últimos anos, o país de cultura milenar vem conquistando ainda mais relevância no cenário mundial. Mas você já pensou em fazer diretamente uma parceria com a China?

Pela distância geográfica, cultural e linguística, muitos empreendedores brasileiros ainda não consideram estabelecer essa relação. No entanto, o mercado chinês está tão expressivo que não é mais possível ignorá-lo.

Se você quer internacionalizar o seu negócio a começar por esse país que está do outro lado do mundo, leia este conteúdo para entender melhor sobre a relevância da China e como construir esse laço!

Como está o mercado de inovação na China?

Durante muitos anos, o país mais populoso do mundo foi conhecido pelo mercado internacional como um fabricante de peças e produtos de baixa qualidade. No Brasil, surgiu o termo pejorativo “xingling” para se referir a falsificações e itens praticamente descartáveis fabricados na China. Mas essa imagem vai ficando para trás, à medida que o país tem investido cada vez mais em inovação e tecnologia.

A cidade de Shenzhen é hoje considerada um dos principais parques industriais do mundo. O município, localizado entre Hong Kong e o continente, não existia há cerca de 40 anos. Atualmente, tem uma população de mais de 12,5 milhões de habitantes e fábricas de todos os perfis, tanto em variedade de produtos quanto em qualidade.

Os investimentos em inovação e tecnologia são uma política de Estado para que o país possa competir com os Estados Unidos — principal player histórico do mercado de consumo. O país realizou, nos últimos anos, uma série de investimentos bastante robustos em educação. Logo no início dos anos 2000, o governo aumentou em 5% a verba do orçamento destinada ao setor. Esse percentual foi aumentando progressivamente, até que em 2017 eles chegaram ao recorde de US$ 500 bilhões investidos no ensino.

O governo de Xi Jinping criou o conceito do “sonho chinês”. Ou seja, ele adotou o desenvolvimento tecnológico e a inovação como uma estratégia de crescimento do país. Na carta de intenções que o presidente chinês publicou em 2017, Jinping colocou como objetivo transformar a China na maior potência mundial em inteligência artificial até 2030 — aparentemente, o plano está correndo como o esperado.

Como é o panorama de negócios com startups?

As startups são um grande foco desse programa de governo chinês baseado na inovação. Ainda no governo de Xi Jinping, essas empresas receberam programas de incentivos fiscais. Também foram construídos três parques nacionais tecnológicos para abrigar as novas empresas.

Outra estratégia do governo foi aproximar o mundo acadêmico do corporativo — duas realidades que costumam viver em conflito no mundo Ocidental. É expressivo, atualmente, o número de estudantes universitários do país que fundaram ou trabalham em uma startup.

O cenário é bom não só para os chineses. O país conta com vários fundos privados e programas de internacionalização de startups que aceitam projetos do mundo todo. Basta, para isso, sediar a empresa em solo chinês.

Caso fazer uma mudança para o outro lado do mundo não esteja nos seus planos, também é possível comemorar: atualmente, a China é um dos países que mais cria oportunidades de negócios no mundo. Aliás, a primeira startup unicórnio brasileira, a 99, só conseguiu alcançar esse patamar depois de contar com investimento chinês.

Por que pode ser importante uma parceria com a China?

Uma população de cerca de 1,4 bilhão de pessoas (contra aproximadamente 209 milhões do Brasil) já deveria ser um bom motivo para querer explorar o mercado chinês. Mas se isso ainda não for suficiente para convencer você, há outras razões.

A China fechou o ano de 2018 com um PIB superior a 11,5 bilhões de euros — um aumento de 6,6% com relação ao ano anterior. Desde 1999, o Produto Interno Bruto do país segue uma curva ascendente e a economia chinesa tem crescido mais do que a média mundial.

Outro ponto importante é a qualidade dos produtos. Para quem ainda tem dúvidas em relação a isso, saiba que, atualmente, é possível encontrar peças e produtos da mais alta qualidade fabricados no país oriental.

No parque industrial de Shenzhen, muitas fábricas utilizam maquinários alemães, finlandeses, japoneses ou israelenses, países que se destacam na eficiência de suas máquinas. Como prova de confiança, empresas como a Apple compram suas peças de fábricas chinesas.

Será difícil encontrar condições mais competitivas do que as oferecidas pelas empresas chinesas. O país não tem leis trabalhistas muito fortes e conta com uma gigantesca população pouco qualificada. O resultado é uma mão de obra barata, que se reflete nos custos totais de produção.

Um último motivo para querer fazer negócios com a China está justamente em seu potencial de inovação. Dificilmente, em outro lugar, você terá tanto contato com novidades como por lá. Uma visita ao país é uma forma de fechar negócios e ter oportunidade de ficar por dentro do que está sendo produzido na vanguarda da tecnologia mundial.

Como iniciar a aproximação com empresas chinesas?

A língua e a cultura chinesas podem ser grandes barreiras para quem deseja desbravar esse mercado. Mas algumas dicas ajudam a superar os obstáculos.

Aprenda a língua

O inglês é o idioma internacional do mundo dos negócios. Mas saber a língua local ou ter um intérprete abre portas que você nem imagina. Em primeiro lugar, causará uma ótima impressão nos seus potenciais parceiros pelo esforço em entender a cultura deles. Além disso, o mandarim permitirá que você vá mais longe nas negociações.

Busque apoio

Existem, no Brasil, associações que ajudam a estabelecer a ponte entre a sua empresa e os parceiros chineses. A Câmara de Comércio e Indústria Brasil China é uma delas. O bureau oferece serviços de assessoria para negociar com empresas chinesas, suporte para instalação de um escritório na China e apoio para vistos, entre outros.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior brasileiro tem o Programa Nacional de Cultura Exportadora, que também dá auxílio a quem deseja exportar. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos é outro organismo que pode fornecer recursos.

Frequente eventos

A Feira de Cantão é um dos maiores eventos de negócios do mundo e reúne milhares de players em um espaço correspondente a cem campos de futebol. Na feira, há expositores de todos os mercados, e existem até assessorias especializadas em montar roteiros para você saber o que visitar.

Se você ainda não se sente confortável para investir em uma viagem para um evento desse porte, não se intimide. Feiras no Brasil, principalmente nos mercados de inovação e tecnologia, costumam atrair empresas chinesas. Aproveite a oportunidade para fazer networking e estabelecer contatos.

O Brasil é o principal mercado da América Latina e um dos maiores do mundo. Por isso, os chineses também têm interesses do lado de cá. Nesse contexto, fazer parceria com a China pode ser menos complicado do que você imagina. É uma situação em que todos os lados saem ganhando.

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